About Simplex Magazine2

connected

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

‘Amor à Vida’: Ao tirar Félix do armário, novela presta serviço, põe boa discussão em pauta e repete recorde de audiência


A esta altura do campeonato, não é novidade para ninguém que boa parte de “Amor à Vida” gira em torno de Félix (Mateus Solano), vilão que foi capaz de jogar a sobrinha recém-nascida numa caçamba de lixo, que, por acaso, é gay. Muito se falou sobre a cegueira de todos em volta do rapaz, que não percebiam sua real orientação sexual ainda que ele tivesse certas afetações e usasse expressões como “Deu a Elza” ou chamasse Pilar (Susana Vieira) e César (Antonio Fagundes) de “mami” e “papi”. Todas estas questões foram postas por água abaixo no capítulo da última quinta-feira (1), quando Edith (Bárbara Paz) revelou para quem quisesse ouvir a homossexualidade de seu marido.
Ainda que repleto de didatismo no texto de algumas cenas, o episódio prestou um grande serviço ao trazer para o debate a saída do armário para a família. Em poucas linhas, alguns conceitos erroneamente difundidos foram desmentidos no horário de maior audiência da TV brasileira. Ao se mostrar confuso com a revelação sobre o pai, por exemplo, Jonathan (Thalles Cabral) diz a Paloma (Paolla Oliveira): “Mas eu gosto de mulher”. Prontamente, a mocinha afirma a ele que o fato de ser filho de um homossexual nada influi em sua orientação: “A maior parte dos gays é filho de casais heterossexuais”.
Num outro momento, Pilar faz questão de ressaltar que não deixará de amar o filho por causa de sua saída do armário. Já Bernarda ressalta o quanto deve ser sofrido viver uma vida de fachada. Por fim, Pilar afirma a César que há homossexuais em profissões mais “masculinas”, caso de jogadores de futebol, ao retrucar aos argumentos preconceituosos do marido, que buscava explicações para o ocorrido enquanto a culpava. Ficou revelado, inclusive, que, quando adolescente, Félix era alvo de bullying no colégio. “Sou um anormal”, desabafa, para ouvir da mãe: “Você é perfeitamente normal!”.
Começa aí a tentativa de justificar o vilão da história. Uma nova porta também se abre com os indícios de que o verdadeiro antagonista é César, um homem que, apesar de aparentemente generoso, se mostrou reacionário e manipulador. Não importa se o texto recorreu a clichês (“deveria ter levado mais o Félix para ver futebol e boxe”, diz César) ou tratou de explicar com todas as letras que homossexualidade não é doença ou defeito. Da mesma maneira, fica claro que o caráter não tem a ver com a orientação. O que Walcyr Carrasco fez neste capítulo tem grande valor. E certamente será lembrado como um momento importante na nossa teledramaturgia.
No quesito audiência, o capítulo foi bem. De acordo com dados prévios do Ibope, a novela marcou média de 39 pontos, repetindo a marca mais alta já atingida desde seu começo.